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» »Unlabelled » É preciso ampliar o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros


Ao mergulhar nas águas do Rio dos Couros e contemplar a beleza do Vale da Lua, na Chapada dos Veadeiros, muitos turistas não fazem ideia que a região está envolvida numa intensa disputa política há décadas. Criado em 1961, no final do governo Juscelino Kubitschek, o Parque Nacional nasceu com outro nome e, mais importante, outro tamanho: quando JK assinou a criação da área de proteção ambiental, a região se chamava Parque Nacional do Tocantins e tinha 625 mil hectares.

O primeiro golpe veio em 1972, ano em que o local ganhou o nome atual – Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros -, mas perdeu a maior parte de seu território, passando a ter 172 mil hectares. A redução, feita durante a Ditadura Militar, foi um pedido do Ministério da Agricultura, que argumentou que o parque atrapalhava o desenvolvimento econômico da região.

Veja também: Roteiro de 7 dias pela Chapada dos Veadeiros

Chapada dos Veadeiros, em Goiás: como ir, o que fazer e outras dicas

Chapada dos Veadeiros, Goiás

Os militares ainda estavam no poder quando o parque sofreu novo corte, em 1981, e passou a ter apenas 60 mil hectares – só 10% do original. Dez anos se passaram até que o parque chegasse ao tamanho atual, de 65 mil hectares, ganhando um terreno quase que irrelevante diante do tamanho da perda.

Tudo isso ajuda a explicar por que a maior parte dos atrativos da Chapada dos Veadeiros não está dentro da área de proteção do Parque Nacional, mas em terrenos particulares. O exemplo mais famoso é o próprio Vale da Lua, localizado numa fazenda particular que esteve recentemente à venda – os proprietários pediam entre R$ 5 e R$ 15 milhões pelo terreno onde está o principal cartão-postal da Chapada dos Veadeiros.

Não há um número exato, mas a estimativa é que a maioria das 120 cachoeiras da Chapada dos Veadeiros esteja dentro de terrenos particulares. E embora tenham taxa de entrada (o preço padrão é R$ 20 por pessoa), os atrativos que estão em locais privados raramente têm a estrutura turística e de segurança necessárias. Políticos da região discutem formas de obrigar quem lucra com o turismo dentro de suas propriedades a investir em segurança – poucos locais têm salva-vidas, por exemplo. Além disso, há casos de cachoeiras e outros atrativos em terrenos que, por serem do agronegócio, simplesmente não podem ser visitados.

Cachoeiras da Chapada dos Veadeiros, em Goiás

Além do turismo: a questão ambiental

O turismo é um detalhe. O problema real da diminuição do Parque Nacional é a proteção do Cerrado, o bioma que mais sofre atualmente no país. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, em dados de 2009, o Cerrado teve a maior taxa de desmatamento entre todos os biomas brasileiros: 0,3%. No mesmo ano a taxa da Amazônia foi de 0,14%. Na Chapada dos Veadeiros vivem cerca de 50 espécies ameaçadas de extinção, entre elas o pato mergulhão. 70 dos cerca de 200 exemplares da ave que existem no mundo estão nessa parte de Goiás.  A onça-pintada, o cachorro do mato, o lobo-guará e o tamanduá-bandeira são outros animais ameaçados que vivem ali.

No final do governo Fernando Henrique, em 2001, o Parque Nacional foi ampliado para 240 mil hectares. Foi esse tamanho que possibilitou que o local fosse declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco, no mesmo ano. O problema é que a decisão foi revista pelo STF, em 2003, que considerou que a ampliação do parque tinha sido feita sem consultas públicas. Resultado: a área protegida voltou a ser de apenas 65 mil hectares.

Em 2009, já no governo Lula, foi iniciada uma nova tentativa de ampliação do parque, dessa vez com a realização de amplos estudos e consultas públicas – o aumento é necessário até mesmo para a manutenção do título da Unesco. As pesquisas foram concluídas em 2013 e as negociações se encerraram em 2016, com a sugestão, pelo Instituto Chico Mendes, de que a área do parque fosse ampliada para 222 mil hectares.

o que fazer na chapada dos veadeiros, goiás

Tudo pronto e enviado para o governo federal, mas o decreto foi parar na gaveta de Michel Temer. A razão? Um pedido do Governo de Goiás, que concordou apenas com uma ampliação parcial na área, que passaria a ter 155 mil hectares, e pediu um adiamento da decisão por pelo menos seis meses. Segundo o governo goiano, o problema é que cerca de 500 famílias serão afetadas pelas desapropriações, entre pequenos e grandes proprietários. Metade dessas propriedades são de posseiros – gente que vive na região há décadas, mas não tem os documentos da propriedade. Caso sejam desapropriadas, essas pessoas seriam indenizadas apenas pelas benfeitorias feitas, mas não pelo terreno em si.

No meio de toda a confusão, é inegável o aumento de tamanho dos campos de soja e milho, que se aproximam perigosamente da Chapada e acompanham o viajante que segue de Brasília, cruza a divisa com Goiás e alcança as belezas da região. Não faltam lobby e pressão política no caso. Segundo ambientalistas, o adiamento da decisão pode até inviabilizar o parque, já que a resolução de conflitos agrários tende a se arrastar por anos.

Além disso, a ampliação autorizada pelo governo de Goiás ignora os estudos ambientais que pensavam um parque de 222 mil hectares em área contígua e com corredores ecológicos, algo fundamental para espécies maiores e que precisam de grandes terrenos para sobreviver, como a onça-pintada. Já a proposta feita pelo governador goiano chegou a ser chamada de “peneira” e “colcha de retalhos”, justamente por não respeitar a ideia dos corredores ecológicos.

Recomendada por ambientalistas e fruto de estudos há anos, a ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros precisa ocorrer. E vale lembrar que, mesmo que seja ampliado dentro da proposta do ICMBio, o parque terá pouco mais de 30% do tamanho original, o lá da década de 1960.

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via http://www.360meridianos.com/2017/01/ampliar-o-parque-nacional-da-chapada-dos-veadeiros.html

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